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Wednesday, June 28, 2017

Visão do Além Um livro da mesma autora de True Blood

Esse é um livro que me pegou um pouco de surpresa, não sabia da existência dele e acabei descobrindo por acaso que foi lançado em 2011 aqui no Brasil, pela editora Leya e é da mesma autora do meu mais que amado True Blood, então decidi dar uma conferidinha pra ver outra coisa da Charlaine Harris e se ela conseguia me surpreender de novo.

Antes de tudo quero deixar claro que Morto até o Anoitecer (livro que deu origem a True Blood) foi lançado em 2001, enquanto Visão do Além veio em 2005, ou seja, a franquia sobre vampiros já existia quando veio essa nova franquia. Mas a série da HBO ainda não tinha sido lançada, essa só veio em 2008.

A história apresenta Harper Connelly, uma mulher de vinte e poucos anos que quando mais nova foi atingida por um raio e sobreviveu. Mas depois disso, passou a sentir a presença de pessoas mortas. Como não é boa em nada, aproveitou o dom para viajar o país com seu meio irmão oferecendo o dom como serviço, cobrando para achar pessoas desaparecidas (caso estejam mortas). No entanto a coisa complica quando ela chega à pequena cidade de Sarne para achar o corpo de uma garota, mas acaba achando muito mais e alguém passa a interferir para que os dois não consigam sair da cidade.

Acho que todo mundo concorda que esse negócio de cair um raio e ganhar super poderes é uma tosqueira louca, parece um clichê absurdo que ninguém ousaria usar, mas... Né? Então o jeito é engolir a coisa, acho que a Charlaine podia ter sido mais criativa, porém como uma das coisas que deu ao charme a True Blood foi exatamente os toques trash da coisa, deu pra perdoar.

Estranhamente eu não fui ler esse livro com muitas expectativas, então não dá pra dizer que fui afetado por um daqueles casos em que a expectativa mata a diversão, mas enquanto lia, notei que eu exigia mais da coisa. É um livro legal, mas no fim das contas acabei achando só isso, algo neutro, não uma obra fenomenal com uma reviravolta de tirar o fôlego, mas apenas um livro divertido para passar o tempo.

Talvez o que tenha feito o livro parecer menos interessante é exatamente o fato de que tem muito de True Blood nele. Uma garota jovem, diferente de outras pessoas, uma cidadezinha em que todo mundo olha esquisito pra ela, seu irmão bonitão que todo mundo quer transar, um caso envolvendo um assassino.

Mas apesar disso, como falei é um bom passa tempo. De certa forma me lembrou Twin Peaks. Como essa personagem é mais voltada para o lado investigativo do que Sookie Stackhouse (a protagonista de True Blood), deu um climinha legal de mistério. É um ótimo clima essa ideia de lugar que eles querem muito sair, mas simplesmente não conseguem porque tem alguém conspirando e fazendo de tudo para que se mantenham na cidade.

Aliás, desconfio plenamente que a Charlaine Harris curte um incesto viu, isso porque em Morto até o Anoitecer existe um baita ênfase sobre como o Jason Stackhouse é lindo e gostoso e todo mundo quer transar com ele. Já aqui, o irmão também é o gostoso e transa com todo mundo, só que a diferença é que a personagem fica com ciúmes, irada as vezes sem dizer exatamente com o que. Na própria história rola um lance de incesto depois com outros personagens, então ficou muito com carinha de "Essa autora curte viu...".

Agora uma coisa que não gostei no livro foi a revelação, me pareceu bobinha demais. Até um certo ponto foi interessante, "OK essa pessoa é a assassina" e a explicação, algo bem digno de livros de mistério mesmo. Mas aí do nada alguém começa a explicar detalhadamente um crime que fez. Me passou a sensação de "Por que diabos essa pessoa tá dando todos esses detalhes pra essa gente? Decidiu que quer ir pra cadeia do nada?".

Enfim, é um livro legal, atmosfera boa, mas não dá pra dizer que é algo que me apaixonei não, fica mais para algo divertido de se passar o tempo mesmo, mas sem uma expectativa imensa em cima da coisa. Ainda pretendo ler os outros da série, mas sem uma imensa expectativa. Se estiver procurando um livro de mistério suave pode ser um bom investimento, quem se interessar está a venda nas seguintes lojas:

Saraiva (R$ 31,40)
Livraria da Folha (R$25,20)
Submarino (R$ 29,99)
Lojas Americanas (R$ 29,99)
Shop Time (R$ 29,99)
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Sunday, June 25, 2017

O Homem nas Trevas Hora de um pouco de claustrofobia

O Homem nas Trevas Hora de um pouco de claustrofobia


Hoje vou falar sobre um tipo de filme que causa um terror peculiar em quem assistem. Estou falando daquela agonia de ser pego que mexe tanto com todos nós. Sabe quando você é criança e está brincando com um adulto e fica escondidinho em um lugar, ele sabe onde você está, mas finge que não e fica te procurando, e bate aquela tensão de "Ele vai me achaaarrr aiiiiiii!!!"? Pois é bem isso que esse filme causa.

Aqui temos um trio de bandidos que fazem pequenos furtos enquanto tentam melhorar de vida, até que ficam sabendo de um velho cego que mora sozinho em um lugar e que tem muito dinheiro. Nunca fizeram algo grande assim, portanto é perigoso, mas decidem ir de qualquer forma. No entanto todo mundo tem seus segredos e esse homem é um ex militar extremamente bem treinado e pronto para lidar com situações tensas.

O filme é o segundo longa metragem do Fede Alvarez, que foi responsável pelo remake de Evil Dead, e novamente tem a bênção de Sam Raimi, que ficou na produção da coisa. Ele manteve o seu estilo, com uma atmosfera bem pesada e a sensação de estar na escuridão com um cego extremamente fodão foi bem interessante.

Uma coisa que achei engraçado foi a presença do Dylan Minnette como um dos bandidos. Ele é o mesmo ator que protagonizou o filme Goosebumps, só que o engraçado é que aqui transmite a mesma essência, ou seja é como se fosse aquele mesmo personagem só que dessa vez no mundo da bandidagem e se dando muito mal kkkkkk. Aliás, to até criando uma teoria de que "O Homem nas Trevas" seja uma sequencia direta de Goosebumps e o personagem foi sugado pra um dos livros kkkkk.

Mas brincadeiras a parte, é um filme que achei muito bom, bem conduzido e com cenas extremamente claustrofóbicas. Aquela sensação de "Não se mexa, não faça nenhum ruído!". Aliás ficou perfeita a escolha do nome em inglês "Dont Breathe" (Não respire), a em português não ficou ruim, mas acho que não passa tão bem a essência da coisa.

Em alguns pontos o filme me lembrou bastante Rua Cloverfield, 10. Essa atmosfera de estar preso em um lugar com um cara perigoso é bem semelhante nos dois filmes, apesar de que aqui a coisa é bem mais pesada com os ambientes super escuros e a maneira tão mais agressiva que o cara tem, causando ferimentos realmente graves.

Enfim, apesar desse não ser um filme que vai ficar marcado na minha vida, com certeza é um bom entretenimento com uma atmosfera peculiar. Não digo que é um filme para todos porque ele é incômodo e pode causar uma sensação realmente desagradável em algumas pessoas, mas sei bem que pra muita gente vai ser um bom passa tempo. Quem se interessar pode conferir aqui.

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Sunday, June 11, 2017

O Pendrive de Resident Evil 7 que parece um vibrador

O Pendrive de Resident Evil 7 que parece um vibrador


Lembram do vibrador de Diablo 3? E que se de repente as empresas começassem a lançar produtos desse tipo de forma oficial? Bom, não exatamente com esse nome, mas com um visual exatamente no mesmo estilo uahahahaha. Pois foi o que aconteceu com a franquia Resident Evil, o sétimo jogo da saga principal trouxe um item um tanto... Peculiar...

O bagulho na verdade é um dedo, porém saiu muitíssimo esquisito, como se trata de um dedo podre o negócio não tem um formato muito certinho, porém as dobras presentes acabaram não ficando das mais convincentes também, fazendo parecer que se trata de simplesmente algum objeto roliço esquisito com cara de algo que veio de um zumbi.

De quebra ainda é um item articulado, tipo aquela mão maravilhosa da edição colecionador do Metal Gear V, porém aqui é apenas um dedo, sendo assim você pode basicamente entortar ele pra lá e pra cá, deixando torto uahahahaha. Imagino as várias utilidades que esse item de luxo para fãs de Resident Evil não vai acabar gerando né?

O pendrive não foi colocado nesse formato aleatoriamente, a verdade é que ele aparece na primeira demo de Resident Evil 7 em uma mão de manequim, daí a Capcom decidiu aproveitar para usá-lo na coisa. Mas e vocês, o que acharam do bagulho? Confira também o que vem na edição de colecionador de Resident Evil 6.

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Wednesday, May 31, 2017

Passageiros Um ótimo filme vendido da forma errada

Passageiros Um ótimo filme vendido da forma errada


Eu tinha falado aqui no blog sobre o problema dos trailers que são melhores que os filmes, porém tem alguns filmes que erram de uma forma diferente nos trailers. Ao invés de mostrarem todas as melhores cenas, eles resolvem que querem fazer o filme parecer o que não é, e esse é bem o caso de Passageiros, um filme que se vê muita análise descendo o pau e muita opinião do público aclamando e dizendo que não entende porque parte da mídia especializada esculachou.

A história não é o que se pode ser chamada de inovadora, apresenta uma ideia que já vimos na ficção científica há séculos em filmes como Alien e Pandorum. Então aqui temos uma nave espacial levando uma tripulação de 5000 pessoas para um novo planeta. A viagem é programada para durar 120 anos, porém uma das câmaras de hibernação abre apenas 30 anos depois do início da viagem e embora a nave forneça todo tipo de luxo, incluindo comida e um androide barman que conversa, ainda serão 90 anos até o destino.

Acho que o que causou a frustração de mita gente foi exatamente o fato de um dos trailers querer vender a coisa como se fosse um dos filmes que citei. Ou seja, é aquela coisa de "Não foi por acaso eu ter despertado... Alguma coisa aconteceu na nave!". Passa aquela sensação de filme que vai ter uma super reviravolta, uma revelação grandiosa. Mas  a verdade é que é um filme completamente suave mesmo.

Mas isso não quer dizer que seja um filme ruim, pra falar a verdade ele é ficção científica de alto nível, com doses variadas de várias coisas, mas terror não é uma delas. Pra falar a verdade acho que é um filme perfeito para casais assistirem. Não é algo super meloso e tal, mas é uma coisa filosófica que te faz pensar em vários elementos e amor é uma das coisas que acaba se pensando.

O filme é longo pra caramba, tendo quase duas horas de duração e a primeira "fase" do filme é demorada pra caramba, pra quem for assistir baseado no trailer que vende errado isso pode parecer uma eternidade. No entanto o filme tem vários momentos em que são ápices e isso é algo bastante agradável, pois é como se entrasse em uma nova fase da história.

A atuação é espetacular, o filme tem uma das cenas de ódio mais fortes que já vi, tanto pela brutalidade da coisa quanto pelo fato de você conseguir sentir a energia. A raiva extrema e a reação da pessoa que está sendo espancada. É uma cena que faz pensar sobre o assunto e em como a situação é complicada.

Os efeitos especiais são maravilhosos demais! Eles usam não apenas coisas lindas de se ver como a grandiosidade do espaço, mas coisas inusitadas como alguém em uma piscina quando de repente a gravidade artificial é desativada e o horror de tentar sair de dentro de uma bolha de água voando. É muito bacana.

Enfim, o negócio desse filme é que você tem que ir assistir pensando nele apenas como uma boa ficção científica, não tem terror, não tem grande reviravolta, mas tem muitos momentos que te fazem pensar "E agora, o que vai acontecer?", então não vá assistir pensando que é um filme tenso. Quem se interessar pode conferir aqui. Eu fiz essa postagem completamente sem spoilers, recomendo demais não assistir nenhum dos trailers pois ele entrega demais, tirou muito da graça quando fui assistir, mas se ainda assim quiser ver, aqui está:

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Por que você tem que desligar o celular dentro de um avião

Por que você tem que desligar o celular dentro de um avião


Blog Bits do The New York Times questiona falta de dados que comprovem os riscos causados pelo uso de aparelhos eletrônicos durante voos comerciais.

Um texto publicado no último domingo no blog Bits, do The New York Times, questiona a eficácia dos avisos que alertam sobre os riscos de se usar celulares e outros aparelhos eletrônicos durante viagens de avião. Segundo o repórter Nick Bilton, não há evidências suficientes que mostrem que tal ação reduza de maneira relevante o risco de quedas.

Para provar seu ponto, Bilton afirma que, mesmo com os avisos, é mais do que certo que uma porcentagem mínima das pessoas se esquece de desligar algum aparelho considerado prejudicial pelas companhais aéreas. Mesmo assim, nos últimos anos nenhuma queda de aeronave foi atribuída ao uso de dispositivos como smartphones, tablets e leitores de ebooks.

Caso o uso de dispositivos do tipo fosse realmente perigoso, o repórter argumenta que o Departamento de Segurança Nacional e a Administração de Segurança de Transportes dos Estados Unidos sequer permitiriam que os passageiros embarcassem com eles.

Medo das novas tecnologias

Bilton afirma que o medo dos efeitos provocados pelas novas tecnologia é o principal responsável pela permanência dos avisos, especialmente quando elas utilizam sinais eletromagnéticos para se comunicar. Porém, ele afirma que até o momento não há estudos conclusivos que mostrem perigo real em se falar ao celular durante um voo.

Les Dorr, porta-voz da FAA (Federal Aviation Administration, ou Administração Federal da Aviação), afirma que o órgão estar errada nesse sentido quando se trata de dispositivos digitais usados em aviões. Para reforçar seu argumento, ele cita um estudo de 2006 inconclusivo, que não mostrou qualquer efeito negativo dos aparelhos sobre os aviões – embora também não tenha provado que a possibilidade não existe.

Riscos desnecessários

Segundo Bilton, a obrigação de desligar aparelhos durante a decolagem e o voo são os reais responsáveis por criar interferências desnecessárias aos aparelhos das aeronaves. Quando dispositivos eletrônicos são acionados, enviam uma corrente elétrica que passam por todo o seu hardware, incluindo GPS, WiFi, microprocessador e rádio.

No caso de dezenas (ou centenas) de aparelhos sendo ligados ao mesmo tempo, os sinais eletromagnéticos gerados são suficientes para provocar mais danos do que se eles estivesem ligados desde o início do voo. Com o crescimento do mercado de dispositivos portáteis e a falta de pesquisas que comprovem o risco oferecido por aparelhos digitais, talvez seja mais do que hora das companhias aéreas reverem suas políticas nesse sentido.



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Tuesday, May 16, 2017

Você sabe o que é um jogo do gênero Soulsike Descubra!

Hoje vou falar de mais um gênero que com certeza vai facilitar a vida de muita gente que é fã do estilo, mas simplesmente não tem ideia de como chamá-lo e assim fica por aí procurando algo parecido, mas sem saber exatamente como definir a coisa. Estou falando do gênero Soulslike (também conhecido como Souls-Like, Souls Like, Soulike).

Indo direto ao ponto, o que define esse gênero é ter uma jogabilidade semelhante à de Dark Souls, mesmo esse não tendo sido o jogo que inventou o estilo, mas foi o que popularizou a coisa, sendo assim passou a ser normal se ver pessoas por aí perguntando "Alguém conhece um jogo tipo Dark Souls?". Em inglês "Tipo Dark Souls" fica "Like Dark Souls" e assim surgiu o termo Soulslike.

Mas como falei, o jogo que inventou esse tipo de mecânica não foi Dark Souls, mas foi um outro título da From Software, Demons Souls, lançado em 2009 exclusivo para Playstation 3 e sucessor espiritual do primeiro RPG de Playstation 1, Kings Field, que foi lançado em 1994 também pela From Software.

Sei que alguns devem estar pensando que Kings Field deveria ser considerado o jogo base da coisa, no entanto ele não usava a mecânica de Dark Souls, apenas o universo era parecido, usando o gênero Dark Fantasy, mas estava bem mais para um Dungeon Crawler comum, colocando o jogador para explorar uma gigantesca ilha amaldiçoada.

Existem dois elementos principais que definem um jogo do gênero Soulslike, o primeiro é ter inimigos que dão um dano absurdo, fazendo automaticamente com que o jogador seja cuidadoso ao lutar até mesmo com os mais básicos dos inimigos. O segundo elemento é o jogador perder algo importante sempre que morrer e ter que se esforçar para recuperar.

Normalmente essa coisa importante é a experiência, então nesse gênero de jogo é normal o jogador sempre estar com medo de morrer e perder tudo, especialmente quando ele está juntando há um bom tempo para comprar uma determinada habilidade. Apesar de tudo alguns variam, por exemplo em Pharaonic a experiência cai no chão e é só pegar, em Salt and Sanctuary o monstro que te matou ficará com seu sal, e você precisará matá-lo pra conseguir de volta. Blade & Bones você perderá purity que é equivalente a uma vida (são sete no total) e ela aparecerá em algum lugar aleatório do mundo.

O sistema de combate nesse tipo de jogo também é normalmente muito bem trabalhado, contendo não apenas ataque, mas defesa e sistema de esquiva. Graças a isso, a tensão no combate é ainda maior, pois o jogador tem que observar bem a forma de lutar do inimigo e saber a hora certa para atacar e se defender.

É possível confundir o gênero com Roguelike, mas os dois são diferentes, mesmo tendo semelhanças em sua dificuldade imensa. Outra coisa é que não é obrigatório esses jogos se passarem em universos de fantasia medieval, basta ter os dois elementos básicos e já podem ser encaixados dentro desse gênero.

Apesar das histórias não terem um padrão obrigatório, é bastante comum serem misteriosas e distribuídas pelo mundo em forma de escrita. Sendo assim pode ser atraente para aquele tipo de jogador que gosta de histórias cheias de teorias. Mas repito que não é algo obrigatório, mas apenas uma tendência nesse estilo.

Enfim, espero que isso tenha sido esclarecedor para quem estiver procurando por jogos no estilo de Dark Souls, mas não sabia como procurar por jogos parecidos. Dois jogos do tipo que posso citar aqui são Shrouded in Sanity e Necropolis. E você, conhece algum que recomenda?
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Saturday, April 15, 2017

Final Fantasy VIII Levando a série a um novo nível gráfico

Hoje vou falar sobre Final Fantasy VIII, um dos primeiros jogos que conheci da franquia, mas que demorei muitos anos para finalmente jogar ele pra valer. E enquanto Final Fantasy VII levou a franquia para outro nível apresentando pela primeira vez um jogo em 3D, Final Fantasy VIII surpreendeu em fazer uma evolução gráfica. Parece que a Square pensou "Já vimos como fazer um FF em 3D, agora é hora de aperfeiçoar!" e fizeram isso lindamente.

A história se passa em um mundo onde existem instituições conhecidas como "Jardins" e são especializadas em treinar mercenários desde a infância, ensinando técnicas variadas de combates, com aulas práticas e conceituais. É como se fosse uma escola mesmo, com uniforme e tudo mais, e aqueles que se formam se tornam Seeds e passam a servir o Jardim. Qualquer um do mundo que tenha dinheiro pode contratá-los para fazer serviços variados, indo de invasão e roubo a assassinato.

Você assume o papel de Squall Leonhart e é surpreendido quando em uma das missões o seu grupo acaba se envolvendo com algo que tem impacto mundial. Uma conspiração envolvendo uma antiga guerra passa a acontecer e é preciso se virar quando as regras do mundo passam a mudar para algo novo e os Jardins que antes eram neutros passam a ter que fazer escolhas sobre o lado que estão.

Vamos começar falando do que realmente chama atenção de imediato no jogo, que são os gráficos. O trabalho feito é maravilhoso, essa é daquelas obras de brilhar os olhos. Sim, eu sei que pra muita gente é um pouco difícil de engolir já que é um jogo de 1999, mas se você pensar em outros jogos da época, vê como a coisa ficou linda.

Enquanto em Final Fantasy VII os personagens eram super mal feitos, com mãos quadradas e a sensação de que eram modelos inacabados que foram deixados fofinhos pra disfarçar, aqui o acabamento é completo. O desenvolvimento começou em 1997, assim que o anterior foi lançado e evoluíram pra valer diversas técnicas interessantes apresentadas no anterior.

Pra começar os personagens agora tem corpos iguais ao de uma pessoa real, ou seja não tem aquele simpático visual anão, e seus corpos são super detalhados, indo desde cabelos até as roupas, não usam a técnica, tão comum na época, de serem todos os personagens iguais e mudarem apenas a skin. Então todo mundo tem seu corpo próprio, e até mesmo os NPCs alunos dos Jardins que usam o mesmo uniforme podem ser diferenciados com características próprias.

Os ambientes ainda usam aquela técnica de pré-renderização, com um visual maravilhoso de fundo, mas que é uma imagem em 3D. Porém dessa vez colocaram frequentemente objetos 3D reais que as vezes você pode ficar atrás ou interagir fazendo com que se movam (tipo um trem), carros passando na rua, etc e também colocaram efeitos nas imagens estáticas, como luzes de uma cidade piscando lá atrás, o vento batendo em uma cortinam, etc... Isso deixou a coisa muito mais charmosa.

As apresentações em CG também são um imenso destaque, aliás a primeira vez que falei desse jogo aqui no blog foi exatamente sobre a espetacular abertura desse jogo, simplesmente impecável demais e que até hoje considero uma das melhores aberturas que já vi na minha vida. Pra falar a verdade quando penso em abertura boa de jogo, acho que a primeira que me vem em mente acaba sempre sendo essa.

E eles aproveitaram o CG de uma forma que já usavam no jogo anterior, só que aqui ficou muito melhor. Em diversos momentos pegam uma apresentação em vídeo e colocam você controlando seu personagem, como se fizesse parte daquilo. É lindo de ver, pois a câmera personagem muda de direção acompanhando o vídeo, e fica bem intensa a coisa.

Por exemplo tem a cena do trem, que é ele vindo e você com o grupo em cima, a câmera vai mudando e você controlando eles. Simplesmente fabuloso, me faz pensar o que a Square não seria capaz de fazer se ela tivesse mais tempo durante a era do PS1. Acho que uma hora iriam fazer um jogo com fundos só com vídeos se repetindo e ia passar a sensação de jogar algo com gráficos de PS2 no PS1 hehehe.

O universo do jogo me agradou demais, é um mundo futurístico bonito cheio de florestas com criaturas exóticas, o primeiro Final Fantasy a fazer isso, o anterior era um mundo futurístico morrendo, com céu escuro, Final Fantasy VI era algo que mais parecia com medieval com tecnologia, e os anteriores tinham mais cara de universo medieval mesmo. Então é uma fórmula nova na franquia, não que eu ame ambientes futurísticos bonitos, mas depois de tantos jogos me bom ver algo diferente.

Me agradou a forma que esse universo age, as pessoas acham normal a existência dos Seeds, mesmo sendo jovens indo para combates, mas quando se para pra ver, não é algo "bonito", afinal eles podem realmente morrer durante as missões, sendo assim são uniformizados e tudo mais, porém vão em missões perigosas enfrentando tudo quanto é coisa.

Nesse universo a mágica é retirada de criaturas, sendo assim magias não estão nas pessoas, elas podem manipulá-las se tiverem o controle de ao menos um Guardião, criaturas poderosas capazes de causar danos monstruosos e também dão a habilidade a seu dono para usar magia, mas mesmo ela não sai infinitamente, é preciso extrair de outros seres.

Ou seja, se você quiser usar magias de cura, precisará achar um ser que a tenha, extrair dele e então usá-la, sendo que tem um estoque limitado de magias, quando você extrai vem uma certa quantidade, e pode carregar até 99 de cada e compartilhar essas essências entre os membros do grupo. A magia também é usada para tunar as habilidades físicas do personagem, pois podem ser colocadas no slot de coisas como força, destreza, sorte, etc e isso fará aquele atributo ficar ainda mais forte enquanto essa magia estiver ali, certas magias combinam mais com determinados atributos.

Essa mecânica de magias é algo muito presente no jogo e as vezes pode valer muito a pena se ferrar para entrar em uma masmorra porque você sabe que um certo inimigo tem uma magia em especial e que se você extrair ela vai fazer com que o seu personagem fique extremamente mais forte, pois combina com o atributo que aquele personagem mais usa.

Ter guardiões também faz toda a diferença, você pode invocar eles em combate para dar um baita dano, mas além disso eles permitem ao personagem usar certas habilidades ou bônus, e dependendo de quem usar esse guardião, as habilidades poderão ser usadas pela pessoa. Por exemplo a força aumentando uma certa porcentagem, a habilidade de roubar ao atacar, o valos de itens ficar mais barato em lojas, etc.

Mas nem tudo é maravilha e chegou a hora de descer o cacete no jogo Ò_Ò! Sinceramente, esse é um jogo que ou você ama ou você odeia a mecânica, e pro meu azar eu estou no segundo grupo. Simplesmente detestei essa bagaceira, comparado aos anteriores, acho que esse é o Final Fantasy com a pior jogabilidade. Simplesmente cansativo demais e a sensação é que se você não tem um aviso prévio de alguém, vai se ferrar, que foi exatamente o que aconteceu comigo.

Por exemplo, esse é um jogo que você pode zerar sem ficar evoluindo, e que aliás, é RECOMENDADO que você não evolua no jogo, pois cada vez que você evoluir, os inimigos vão ficar mais forte juntos sendo que os níveis mais altos dos inimigos desse jogo são CABULOSOS. E adivinham só? Eu cheguei no último chefe no nível 100! Que é o máximo! Foi só a bagaceira, cansativo demais!

O negócio é que esse jogo é daqueles que e preciso estudar, que pessoas jogam por anos e descobrem coisas novas, entendem como funcionam certos detalhes, analisam item por item das centenas disponíveis e veem as melhores combinações, etc... Pra quem tem tempo de se dedicar só a esse jogo pode ser uma maravilha, mas pra quem gostaria de jogar outras coisas, descobrir na metade ou fim que evoluir é ruim e que o melhor é conseguir combinações pra tunar atributos não é legal.

Mas não só isso, achei a mecânica toda cansativa, não gostei de ter que no meio do combate ficar extraindo magia de monstro e equipando sem saber direito se tava bom ou se estava fazendo algo péssimo. Ter que ficar mexendo nesse negócio nos atributos tem seu charme, eu assumo, mas não é pra mim.

Agora sem dúvidas a coisa que eu mais achei uma desgraça foi ter que ficar passando guardião de um grupo pra outro. Nossa como isso me irritava. Os personagens só tem habilidades se tiverem guardiões equipados, inclusive coisas básicas como usar itens, e quanto mais guardiões equipados, mais poderoso é seu personagem, e tem duas equipes.

Ou seja, toda hora você tem que ficar mudando de um pra outro, existe um botão de transferência rápida, mas essa trocação é um tanto bagunçada pois cada personagem também tem suas habilidades próprias e jeito de agir peculiar, isso sem contar quando o jogo não resolve desequipar de vez os personagens e você tem que ir lá em um por um equipar de novo, escolher as habilidades. Em alguns momentos a troca de grupo é rápida, aí você perde tempo fazendo as mudanças e dois minutos depois volta pro grupo anterior.

Porém é o que falei, sou do grupo que não gostou, mas vejo que tem muita gente que considera esse um dos melhores e até compra action figures do negócio, assumo que tem um charme na coisa toda mesmo sendo algo que considero chato. Acredito que especialmente pra quem tem tempo pra se dedicar pode ser uma experiência interessante ficar fazendo testes e descobrindo possibilidades.

Enfim, esse é um jogo que achei maravilhoso visualmente, adorei o universo e mesmo a história que é um pouco criticada me agradou, com momentos realmente épicos. Porém sinceramente eu odiei demais a mecânica dele e acho que isso acabou sendo um ponto extremamente negativo. Foi o FF que mais levei tempo pra zerar, mais de um ano do começo até quando terminei, matar o último chefe foi exaustivo ao extremo. Então não dá pra dizer que me apaixonei pelo jogo, mas deixou sua marca pelo universo. Vale a pena dar uma conferida no site da G2A pra ver o preço que está lá, pois eles costumam vender keys da steam por um valor bem mais barato que na própria steam e ainda aceitam boleto bancário. Dê uma conferida no preço que tá lá, clicando aqui.
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Tuesday, April 11, 2017

Um voo sobre Marte A beleza do planeta vermelho

É engraçado, eu não sou uma pessoa que gosta do campo e essas "aventuras naturais" que o povo tanto ama. Adoro cidade, urbanização e tal, no entanto ver certos vídeos de ambientes naturais me agrada demais e fico encantado pra caramba, sendo assim obras como The Aurora e o inesquecível The Mountain me fazem arrepiar! E hoje vou postar uma obra mais ou menos nesse estilo, porém fora da terra, um vídeo do planeta Marte!
A humanidade é apaixonada por Marte, é como se fosse um planeta destinado a ser uma extensão de nosso lar um dia. Quando se falar de viajar pra outro planeta, Marte sempre é falado. Inúmeras obras já foram lançadas baseadas nesse tema, e tanto a ficção científica quanto o mundo real estão sempre falando desse lugar.



Naturalmente a NASA já fez diversos projetos envolvendo o planeta vermelho e inclusive enviou sondas. Em 2005 foi lançada a Mars Reconnaissance Orbiter para o planeta vermelho. Passou a registrar uma quantidade imensa de fotos em alta resolução com a poderosa câmera HiRISE (High Resolution Imaging Science Experiment).

E foi com 50 mil imagens vindas da sonda que o produtor Jan Fröjdman resolveu pegar e começar a compliar o que achou mais interessante da coisa em um formato de voo por Marte. No fim acabou sendo um vídeo de quatro minutos interessante pra caramba, com uma atmosfera que adorei, confira o resultado:


E aí, o que acharam? Eu gostei pra caramba, sempre acho intenso esses vídeos. Não deixem de conferir também UGUISU, um lapso temporal no mesmo estilo mostrando o dia a dia no Japão.
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Monday, April 3, 2017

USB Disabler – Um pouco mais de segurança para o Windows

Temos dado nos últimos tempos um enfâse grande a ferramentas que permitem bloquear a execução das aplicações através dos ficheiros autorun.inf que estão alojadas nas pens ou discos USB. É uma das mais simples e básicas formas de segurança que podem implementar e assim protegerem-se contra a propagação de vírus ou malware.
Hoje apresentamos uma ferramenta ligeiramente diferente, o USB Disabler, que vai um pouco mais longe e protege o vosso computador contra acessos indesejados de pens ou discos ao vosso sistema.



O USB Disabler tem três modos possíveis de funcionamento e permite que limitem, de acordo com o que desejarem, o acesso de dispositivos USB ao vosso sistema. A sua interface é minimalista e de muito simples utilização. Com apenas 1 clique conseguem limitar ou restituir o acesso ao vosso sistema.
O primeiro modo que o USB Disabler disponibiliza permite inibir por completo o acesso de dispositivos USB ao vosso computador. Esta inibição é de tal modo eficiente que o dispositivo nem é sequer detectado pelo sistema e por conseguinte não temos acesso a ele.
O modo seguinte coloca os dispositivos em modo de leitura, impedindo a escrita de ficheiros nesses suportes. Desta forma conseguem evitar que vos sejam copiados dados para esses dispositivos, o que pode acontecer sem que o consigam detectar.
O terceiro modo é o normal no Windows e permite a leitura e escrita nesses dispositivos. Este é sem dúvida o modo mais inseguro.

A forma de activar um desses modo é tão simples como o escolherem e carregarem no botão com a forma de disquete para que seja gravado e aplicado. Sempre que alterarem um desses modos devem desligar e voltar a ligar todos os dispositivos USB para que a nova regra seja também aplicada a eles.


Uma última vantagem que é reconhecida ao USB Disabler é o facto de ser completamente portátil e ser extremamente pequeno. Podem por isso colocá-lo numa pen USB e usá-lo sempre que sentirem necessidade, sem terem de se preocupar com a sua instalação.
Adicionem um pouco mais de segurança ao vosso Windows com a utilização do USB Disabler. Evitem que os dispositivos USB que ligam ao vosso PC estejam a realizar tarefas que são prejudiciais para vocês ou para o vosso computador.

Licença: Freeware
Sistemas Operativos: Windows XP/ Vista/ 7
Download: USB Disabler 1.1 [373.6KB]
Homepage: USB Disabler


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Thursday, March 30, 2017

O Descendente Um conto de Lovecraft pra você lamentar

O Descendente Um conto de Lovecraft pra você lamentar


Quando li pela primeira vez essa história, fiquei completamente confuso, o que tenho que assumir que não foi surpresa alguma, já que o autor norte americano H.P. Lovecraft escrevia de uma forma extremamente confusa. Mas mesmo relendo, eu não conseguia entender, dava pra entender a coisa em si, mas passava uma sensação de falta de desfecho que não parecia o tipo de fim que o autor costumava dar.

E foi quando decidi pesquisar que descobri que é um conto inacabado, e está presente no livro O mundo fantástico de H.P. Lovecraft, só que não está escrito que aquilo não é completo, por isso fiquei perdido. Descobri inclusive que algumas versões brasileiras da tradução da coisa adicionam uma introdução envolvendo o leito de morte de um personagem para que se tenha um melhor sentido.

Então é aquele tipo de coisa que acaba só restando lamentar e faz pensar na quantidade de coisas que ele não poderia ter escrito.  Lovecraft morreu em 1937 com 47 anos, e esse fragmento de história foi escrito uma década antes, mas nunca ficou completo.

Um ano após a morte do autor um jornal chamado Leaves publicou esse fragmento, estranho né? Quero dizer, ele ainda não tinha a fama que tem hoje em dia. Quero dizer, apesar de sua influência na cultura pop, nem atualmente ele é conhecido assim, é fácil perguntar alguém "Você sabe quem é Lovecraft?" e a pessoa dizer que não. Então imagina em 1938?

Mas para quem está esperando um fragmento de livro como o espetacular Azathoth, já saiba que não é naquele estilo. Aquele fazia parte do Ciclo dos Sonhos, e por isso tinha um toque estranho mas intenso, já esse faz parte dos Mitos de Cthulhu tradicionais, ou seja algo que fala sobre uma coisa misteriosa no mundo, que é capaz de levar a loucura.

Tudo indica que quando Lovecraft escreveu esse fragmento, ele estava estudando intensamente a Inglaterra e queria usar ao máximo aquele cenário como plano de fundo, pois dali ele poderia sugar muito mais do que os ambientes presentes nos Estados Unidos. Acredito eu que o roteirista do filme Castelo Maldito possa ter sugado um pouquinho daqui também. Confiram:



O Descendente 

Em Londres existe um homem que grita quando os sinos das igrejas tocam. Ele vive totalmente só com um gato malhado na Pensão Gray, e as pessoas o chamam de louco inofensivo. Seu quarto está cheio de livros de tipos mais calmos e pueris, e hora após hora ele tenta se perder em suas fracas páginas. Tudo o que ele quer da vida é não pensar. Por algum motivo o ato de pensar lhe é muito terrível, e tudo o que possa agitar a sua imaginação o faz, fugir de como uma praga. Ele é muito magro e enrugado, mas há quem declare que não é tão velho quanto aparenta. O medo tem suas garras retorcidas sobre ele, e um som o fará se sobressaltar com olhos perscrutadores e a testa coberta de suor. Os amigos e companheiros ele dispensa, pois não deseja responder a nenhuma pergunta. Os que outrora o conheceram como scholar e esteta dizem que dá pena de vê-lo agora. Ele abandonou a todos anos antes, e ninguém sabe ao certo se ele deixou o país ou simplesmente desapareceu de vista em alguma ruela oculta. Faz uma década agora desde que ele se mudou para a Pensão Gray, e de onde andou ele não diria nada até a noite em que o jovem Williams comprou o Necronomicon.

Williams era um sonhador, e apenas tinha 23 anos, e quando ele se mudou para a antiga casa, sentiu uma estranheza e um hálito de vento cósmico ao redor do homem cinzento e envelhecido no quarto ao lado. Ele forçou sua amizade onde velhos amigos não ousavam forçar a deles, e maravilhou-se com o medo que tomava conta daquele observador e ouvinte triste e sombrio. Pois que o homem sempre observava e ouvia, ninguém podia duvidar. Ele observa e ouvia mais com sua mente do que com os olhos e ouvidos, e lutava a cada momento para afogar alguma coisa em sua pesquisa incessante sobre romances alegres e insípidos. E quando os sinos das igrejas tocavam, ele tampava os ouvidos e gritava, e o gato cinzento que com ele morava uivava em uníssono até que o reverberar da última badalada morresse ao longe.

No entanto por mais que Williams tentasse, não conseguia fazer seu vizinho falar de nada profundo ou oculto. O velho não acompanhava seu aspecto e maneirismos, mas fingia um sorriso e um tom suave de voz e falava febril e freneticamente de alegres trivialidades; sua voz a cada momento se elevava e engrossava até se partir num pipilante e incoerente falsete.Que seu conhecimento era vasto e profundo, isso suas observações mais triviais tornavam abundantemente claro; e Williams não se surpreendeu ao ouvir que ele frequentou Harrow e Oxford. Posteriormente descobriu-se que ele não era outro que não Lorde Northam, de cujo antigo castelo hereditário na costa de Yorkshire tantas coisas estranhas se contavam; mas quando Williams tentou falar do castelo, e de sua reputada origem romana, ele se recusou a admitir que houvesse nele qualquer coisa de incomum. Até chegou a se arrepiar quando o assunto das supostas criptas subterrâneas, escavadas da rocha sólida que abunda no Mar do Norte foi trazido à tona.

Dessa forma as coisas ocorreram até a noite passada, quando Williams levou para casa o infame Necronomicon, do árabe louco Abdul AlHazred. Ele havia ouvido falar do temível volume desde seus dezesseis anos, quando seu crescente amor pelo bizarro o levara a perguntar questões estranhas a um velho livreiro na Rua Chandos; e ele havia sempre se perguntado por que os homens empalideciam quando dele falavam. O velho livreiro lhe havia dito que apenas cinco cópias haviam sabiamente sobrevivido aos editos chocados dos sacerdotes e juízes contra ele, e que todos estavam encerrados com cuidado terrível por pessoas que haviam se aventurado a começar uma leitura do negro livro odioso. Mas agora, finalmente, ele havia não somente encontrado uma cópia acessível mas adquirido a um preço ridiculamente baixo. Foi na loja de um judeu, nas vizinhanças esquálidas do Mercado Clare, onde lê já havia compra coisas estranhas antes, e quase imaginava o velho levita recurvado e sorridente entre fiapos de barba quando fez a grande descoberta. A pesada capa de couro com o cadeado de aço estava tão proeminentemente visível, e o preço era tão absurdamente baixo.

Apenas com um único vislumbre que ele teve do título foi suficiente para fazê-lo delirar, e alguns dos diagramas dispostos no vago texto em latim excitavam as mais tensas e inquietantes lembranças de seu cérebro. Ele sentia que era muito necessário levar a coisa poderosa para casa e começar a decifrá-la, e levou-a da loja com tamanha precipitação que o velho judeu riu perturbadoramente atrás dele. Mas quando finalmente estava a salvo em seu quarto, descobriu que a combinação do livro negro e do idioma adulterado era demais para seus poderes de lingüística, e relutantemente pediu ajuda de seu estranho amigo amedrontado para decifrar o distorcido latim medieval. Lorde Northam conversava banalidades com seu gato malhado, e reagiu violentamente quando o jovem entrou. Então viu o volume e tremeu violentamente, e desfaleceu por completo quando Williams pronunciou o título. Foi quando recuperou os sentidos que ele contou sua história; contou sua fantástica ficção de loucura em frenéticos sussurros para que seu amigo fosse rápido em queimar livro amaldiçoado e espalhar bem distante suas cinzas.

Deve ter, Lorde Northam sussurrou, deve ter alguma coisa errada no começo; mas isso nunca teria chegado a um fim se ele não tivesse ido tão longe. Ele era o décimo-nono barão de uma linhagem cujo início ia desconfortavelmente distante no passado — inacreditavelmente distante, se a vaga tradição for considerada, pois havia histórias de família sobre uma descendência que remonta a tempos pré-saxônicos, quando um certo Luneu Gabínio Capito, tribuno militar da Terceira Legião Augusta então estacionada em Lindum, na Britânia Romana, havia sido sumariamente expulso de seu comando por participação em certos rituais que não tinha ligação com qualquer religião conhecida. Gabínio havia, segundo corria o rumor, entrado na caverna da encosta, onde estranhas pessoas se reuniam, e feito o Sinal dos Antigos na escuridão; estranhas pessoas que os Bretões não conheciam, salvo por medo, e que foram os últimos sobrevivente de uma grande terra a oeste que havia afundado, deixando apenas as ilhas com os círculos e templos dos quais Stonehenge era o maior. Não havia certeza, claro, na lenda, de que Gabínio houvesse construído uma fortaleza impregnada sobre a caverna proibida e fundado uma linguagem que pictos e saxões, daneses e normandos foram incapazes obliterar; ou na suposição tácita de que daquela linhagem surgira o bravo e companheiro tenente do Príncipe Negro que Eduardo III tornara Barão de Northam. Essas coisas não eram certas, mas eram contadas com freqüência; e em verdade o trabalho em pedra da Fortaleza Northam parecia de forma alarmante como a alvenaria da Muralha de Adriano. Em criança, Lorde Northam tivera sonhos peculiares quando dormia nas partes mais velhas do castelo, e adquirira um constante hábito de vasculhar na memória cenas semi-amorfas e padrões de impressões que não formavam parte de sua experiência acordado. Ele se tornou um sonhador que descobriu a vida mansa e insatisfatória; um pesquisador de reinos estranhos e relacionamentos um dia familiares, mas que não se encontram em nenhum lugar das regiões visíveis da Terra.

Preenchido com o sentimento de que nosso mundo tangível é apenas um átomo num vasto e ominoso material, e que demônios ocultos pressionam e permeiam a esfera do conhecido a cada ponto, Northam na juventude e nos primeiros anos de fase adulta secou as fontes da religião formal e dos mistérios ocultos. Em nenhuma parte, entretanto, pôde ele encontrar paz e contentamento; e, à medida que crescia, a paralisia e as limitações da vida tornavam-se mais e mais enlouquecedoras para ele. Durante os anos 90 ele estudou o satanismo, e em todos os momentos devorou avidamente qualquer doutrina ou teoria que parecesse prometer fuga das visões fechadas da ciência e das tolas leis imutáveis da natureza. Livros como o relato quimérico de Ignatius Donnely sobre Altântida, e uma dúzia de obscuros precursores de Charles Fort o fascinavam com suas divulgações. Viajava léguas para acompanhar uma história furtiva de vilarejo de maravilhas anormais, e um dia foi ao deserto da Arábia para procurar uma Cidade Sem Nome por relatos vagos, que nenhum homem havia visto jamais. Dentro dele se elevava a fé tantalizante de que em alguma parte existiria um portal, que se encontrado o admitiria livremente àquelas profundezas extremas cujos ecos soavam tão fracos nos fundos de uma memória. Poderia estar no mundo visível, ainda que podesse também estar em sua mente e em sua alma. Talvez ele mantivesse no interior de seu próprio cérebro semi- inexplorado aquela ligação críptica que o despertaria a vidas ancestrais e futuras em dimensões esquecidas; que o ligariam às estrelas, e aos infinitos e eternidades além delas... 

- H.P. Lovecraft - 

Bem lovecraftiana mesmo a coisa né? A aparição do necronomicon indica que teria muita loucura, qual seria a história do Lord com o livro maldito?  Mas tenho que assumir que dei algumas gargalhadas com a atitude desse personagem, ele conversando com o gato e tentando recuperar a pose kkkkk. No Brasil existem diversos livros a venda que contém a obra de Lovecraft.
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